ILHA MONTÃO DE TRIGO – vivencia caiçara

Video na integra !

O ponto de encontro seria as 9hrs ao lado do pier, no canto esquerdo da praia de Boissuganga. As 8hrs eu já estava pronta e ansiosa.

Na bolsa eu coloquei : aguá, protetor solar, snorke, GoPro, clube social e muita disposição. Comemos um café da manhã reforçado – é sempre bom comer bem, porém não muito pesado antes desse tipo de passeio, barco pode enjoar – e fomos pra estrada. A Van do Maresiastur levou a gente até boissuiganca onde aguardamos a chegada da Lancha do EcoFlatMaresias.

9h15 a lancha chegou, embarcamos da areia mesmo, molhou até a cintura pra subir, então se você esta preocupado com as roupas é legal já ir de roupa de banho.

São aproximadamente 20 quilometros até a ilha, a travessia foi tranquila, apesar do mar ter algumas ondas ( resquicios da chuva que durou uma semana e acabou ontem ) quase não balançou e ninguem passou mal, São Sebastião é uma região encantadora, no mar então, nem se fale. Tirem os chapeus pois venta muitooo. Mas vale a pena cada segundo, a sensação de liberdade que se tem na proa de um barco é inesquecível.

9h48 a chegada na ilha é surreal, aquele lugar é o paraiso na terra, a piscina natural fica do lado direito da ilha – é a unica parte da ilha que forma um bom lugar pra nadar, o resto da costeira é só rocha – o verde imediatamente domina a paisagem, tanto da vegetação nativa da ilha, quanto da água, tudo é muito verde.

10h00 antes de entramos na ilha pulamos na agua e aproveitamos para nadar com os peixeinhos, como choveu bastante nos ultimos dias, a agua estava um pouco turva, mas ainda sim, dava pra ver cada grão de areia no fundo. Encontramos com o Zenildo, que é um dos mais antigos na comunidade. O avó dele foi um dos primeiros habitantes da ilha, nascido e criado lá, assim como o pai dele e o proprio Zenildo, que nunca morou fora da ilha, apenas lá. Conhemos na sequencia o filho dele, o Israel, pivete arteiro de 9 anos que mostrou parte da ilha pra gente.

Levamos uma sacola de roupas pro menino e alguns itens pro Zenildo, é sempre bom retribuir a sua visita de alguma maneira. Depois que todo mundo foi apresentado andamos um pouco pela costa até o começo da trilha.

  • uma curiosadade é que existem dois tipos de pedras na costeira, as pedra pretas ( extrusivas ) que são “gotas de lava” de algum vulção que entrou em erupção a muito tempo a tras, e o granito que é uma pedra sedimentaria que não tem a ver com com as pedras de lava.

entre as pedras da costeira existe um cais “improvisado” com hastes de bambu e madeiras, dispostas em forma de escada, para subir os barcos pra terra firme, eu contei 6 barcos da comunidade caiçara. Eles precisam dos barcos para resolver algumas coisas na cidade, comprar comida, roupas, materiais, entre outros.

10h34 começamos a trilha, que eu achei particularmente uma das mais bonitas que eu já vi, aterra estava barrosa, mas inda sim bem tranquilo de andar, aberta, linda e estruturada.

Vivem 18 famílias lá, todos parentes, primos, tios, netos, filhos e sobrinhas. Cada familia tem a sua casa, que ficam espalhadas pela ilha.Eles tem celulares e muito sinal lá, a três anos atras foi colocado pela prefeitura de São Sebastião um sistema de solar de energia, então eles tem eletricidade, na teoria, mas algumas baterias quebraram, então eles só te energia em alguns momentos do dia quando os geradores são ligados.

Nenhum barulho de fora, o canto dos passaros era o que falava mais alto, em algum momento a trilha abria e podiamos ver o mar e mais adiante o continente. Arvores frutiferas em toda parte, a trilha estava cheia de frutinhas roxas. Chegamos na primeira clareira, a frente uma arvore que deve ser mais velha que minha bisavó, a direita uma cada de maderite\ou compressado suspensa do chão por bloquetes de madeira, quando eu perguntei porque ele riu e disse que era porque eles queriam. Havia galinhas e cachorros de animais domesticados.

Tem umas três clareiras com casas espalhadas pela costeira da ilha, as casas são bem similires, feitas com materias similires, mas cada uma a sua maneira. Logo chegamos a casa do Zenildo onde ele nos ofereceu aguá em garrafinhas de plastico, logo depois de conhecer a casa do Zenildo, que não é muito diferente das outras, feita de maderite, eu contei uns 3 quartos, mas como não entramos muito não posso afirmar com certeza. Conhecemos a mulher dele, e ele nos contou que os homens pescam e as muheres ficam em terra. Oque pelo tom eu reconheci como um problema.

Seguimos com o menino Israel, que nos mostrou a escolinha, tem cerca de 6 crianças na turminha, e mais uma meia duzia na turma dos maiores, que são todas as crianças da ilha. A professora vai de Barra do Shay e geralmente fica de segunda a sexta. Não consegui mais informações sobre isso, onde ela dorme etc, acredito que a prefeitura que é responsável por essa tarefa. Ele nos apresentou a escola, o campinho de futebol. Depois fomos escalar a arvore preferida do Israel, tiramos fotos e descemos.

escolinha

Nos despedimos, e voltamos pro barco, nadamos mais um pouco, comemos o club social e partimos. Na volta vimos cardumes de peixes pulando.

“A vida cairaça é sofrida, é muito sol, muito sal, e muito peixe. É uma paisagem que fica bonita nas fotos mas nem tão colorida é a rotina, sem energia full time, sem estoque de comida, vender peixe pra restaurantes por alguns trocados, trabalho braçasl, construir casas, derrubar arvore, montar a rede, pescar, horas a fio no mar, voltar sem nada. choveu. 15 dias sem contato com o continente, mar bravo, se pesca, inverno, sem frutas, se estoque de comida, choveu muito, deslizamento, e agora?. a vida caiçara é sofrida. c a i ç a r a. é uma palavra de muito peso e um povo de muita caracteristica. desfigurada. bocas que nunca viram um dentista. estomagos que nunca comeram além do essencial. braços que nunca descaram. e uma pele que nunca viu um protetor solar. no mar desde os 8. nascido e criado. nascido e criado. vivivdo e enterrado ali. é uma beleza triste. “

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